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Pra gente começar a semana pensando um pouco :) Essa crônica foi tirada do ótimo: www.caoemquadrinhos.com.br Espero q curtam :)
Hoje em dia, toda grande cidade que se presa tem
uma ou duas dezenas de cães de rua, mas o que pouco se sabe é que os
famosos vira-latas estão, não mais em processo, e sim em plena
extinção. Não porque há muitas carrocinhas, como deve estar passando em
sua mente meu caro leitor, ou porque não existem pessoas cruéis que
abandonam os seus animais, ou pessoas descuidadas que perdem os seus
companheiros fieis. A verdade é que uma nova raça surgiu e desbancou os
amigáveis vira-latas. Muito mais ágeis e inteligentes, os rasga-sacos
dominam as ruas das grandes, médias e pequenas cidades.
Eles tem uma inteligência incomparável à dos seus antecedidos.
Herdeiros do século 21, os rasga-sacos tem a incrível habilidade de
atravessar avenidas movimentadíssimas (habilidade essa muito invejada
por mães de crianças pequenas). Eles circulam entre os carros desviando
dos pára-choques ou esperam sem presa sentados na calçada a hora certa
de passar para o outro lado da rua. Essa percepção nunca antes pode ser
registrada nos ultrapassados vira-latas. Nascidos nas décadas de 20,
30, 40 e 50 os velhos cães de rua não precisavam se preocupar com os
perigos da travessia. No máximo um ou outro era encontrado amassado por
um carro, moto ou bonde, mas isso raramente acontecia. Eles não tinham
o incrível corpo flexível visto hoje nos rasga-sacos. A nova raça
parece ter ossos feitos de borracha. Tu, meu caro leitor, já deves ter
presenciado, assim como eu, uma ou duas colisões entre autos e a
super-raça canina de rua e notado que após o choque o animal
levantou-se, sacudiu a poeira de seu curto pelo e saiu caminhando
normalmente. Algo inexplicável e nunca documentado anteriormente.
Esses animaizinhos peludos tem também a incrível percepção de
afeto. Basta olhar mais carinhosamente para um deles para ele logo
perceber que ganhará um almoço. Ao contrário do vira-lata que era
desconfiado e neurótico. Bastava alguém estranho passar pela rua para
ele começar a latir insistentemente atrás do cidadão.
Olhando atentamente a arvore genealógica das duas raças percebe-se muita coisa, por exemplo:
A extinta raça era descendente de cachorros de porte pequeno
(Schnauzer, Dachshund, Pequinês, Pug) e por isso tinham o comportamento
neurótico, possessivo, desconfiado e temperamental. Eram de aspecto
acinzentado, com fiapinhos de pelos caindo da cara (a famosa barba de
arame), olhos saltados da órbita, pernas curtas e estatura baixa.
Já os simpáticos rasga-sacos descendem de cães de porte médio ou
grande (Labrador, Pointer, Golden Retriever, Colie) e, portanto são
amigáveis, companheiros e permanentemente alegres. São altos, de
pelagem variada, têm orelhas tortas e caídas sobre a cara, rabo
comprido que vai afinando até a ponta onde enrosca um pouquinho (o
famoso rabinho de anzol) e olhos de uma doçura incomparável aos de
qualquer cão de raça. Eles parecem sempre estar fazendo a mesma
pergunta: “- Tem uma comidinha ai???” ou “- Será que eu posso ser seu
amigo??”.
Belos ou não, brabos ou não, cães de rua existem em qualquer
cidade. Isso é uma grande pena, pois todos eles tem um potencial
inesgotável de amar, aliás, todo cão tem. Apenas devemos prestar mais
atenção nesses nossos amigos esquecidos que vagam por ai procurando
quem os ame. A amizade de um cão é algo que nem um outro ser pode
superar. Só ele tem a capacidade de ser feliz 24 horas por dia e de
fazer quem está por perto feliz também. Observando isso se aprende
muito.
Adote um cão de rua, ensine-o a comer em um pratinho que ele lhe ensinará a amar.
Renata Soares*.
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